Economista diz que saques do FGTS não terão força para estimular consumo

Simião Castro

O nível de famílias endividadas no país em janeiro foi de 61,6%, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O dado evidencia a ineficácia da liberação do saldo inativo do FGTS servir como propulsor do consumo.

Segundo o economista coordenador do Núcleo de Pesquisas Econômicas (Nupec) da Faced, Leandro Maia Fernandes, só uma pequena parcela do dinheiro será usado para fazer compras. Ele afirma que a medida não passa de um paliativo inócuo pautado mais por marketing governamental que por um estímulo à economia.

Ele diz que o total injetado na economia não será nem de 20% do que o 13º salário cobre, em uma comparação de ações capazes de movimentar dinheiro. Para ele, a maioria das pessoas vai apenas tentar limpar o nome. “Pelo elevado grau de endividamento da sociedade, as pessoas vão direcionar [o FGTS] para o pagamento de dívidas”, avalia.

Mesmo assim, nem todo mundo deve conseguir pagar tudo. De acordo com o Perfil do Inadimplente e das Dívidas no Brasil, traçado pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) em agosto 2016, o total médio da dívida dos inadimplentes chega a R$ 3.543,60.

Acontece que dos 30 milhões de trabalhadores que vão poder retirar o dinheiro, 24 milhões têm no máximo R$ 1.500 de saldo, de acordo com a Caixa Econômica. Só na faixa até R$ 500 são 16,6 milhões de trabalhadores. Em Divinópolis, o banco estima em 10 mil o total de trabalhadores que vão resgatar o dinheiro.