Suspeito de matar carbonizado, delegado que trabalhou em Divinópolis se entrega à polícia

Já está no sistema prisional, Rodrigo Cesar Costa Barbosa, de 52 anos, acusado de matar o delegado aposentado Hudson Maldonado, de 86, que trabalhou em Divinópolis.

O ex-policial  disse aos investigadores que ‘não queria matar’ o ex-delegado. Rodrigo foi preso nesta sexta-feira (24) após se entregar na Delegacia de Homicídios de Sete Lagoas, na região Central de Minas, onde o crime foi cometido.

A informação foi revelada pela delegada Fernanda Mara de Assis Costa durante coletiva de imprensa nesta tarde. Segundo ela, Rodrigo tentava retomar o cargo perdido há 18 anos. Porém, acabou sendo derrotado em 1ª e 2º Instâncias. Na semana passada, seu pedido de reintegração à Polícia Civil também teria sido negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que teria ‘reavivado a mágua e o sentimento de rancor’ contra Hudson Maldonado, um dos responsáveis pelo procedimento de expulsão do policial civil na época.

Rodrigo chegou sozinho à Delegacia de Homicídios, sem a companhia de um advogado, como é comum. Ele disse aos policiais civis que ligou para a Defensoria Pública, mas o órgão teria se negado a acompanhá-lo. ‘A primeira coisa que eu falei foi perguntar se ele sabia que tinha um mandado de prisão em aberto. Ele respondeu que não sabia, mas imaginava. Porém, contou que passou os últimos três dias no mato e não queria mais ficar nessa condição. Queria se apresentar e responder todo o procedimento’, explicou a delegada.

Apesar de ter chegado na casa do delegado com uma faca e gasolina, Rodrigo disse aos investigadores que não tinha a intenção de matá-lo: ‘Na verdade ele queria agredir a vítima. Porém, tomado pela emoção, ele acabou usando muito combustível. Isso são declarações dele’, disse a delegada. Fernanda explica também que Rodrigo havia deixado a gasolina em um lote vago ao lado da casa do delegado, dois dias antes. A justificativa dele para a presença do combustível foi a de que ele poderia usá-lo para ameaçar os moradores e, assim, conseguir entrar na casa.

A delegada explicou que ainda não é possível afirmar que Hudson foi esfaqueado, já que o corpo foi completamente carbonizado. Esse detalhe só será revelado por meio dos exames periciais. Segundo Fernanda, o ex-policial demonstrou arrependimento.

Rodrigo deve ser indiciado por homicídio triplamente qualificado (‘por motivo torpe’, ‘emprego de fogo’ e ‘mediante recurso que dificulte a defesa da vítima’). Agora, os investigadores devem ouvir testemunhas e pessoas próximas dos envolvidos para apurar mais detalhes do caso.

De acordo com o registro, o homem chegou na residência, que fica na avenida Irmã Flávia, no bairro CDI II, dizendo que ia fazer uma entrega. “Por volta das 11 horas, um indivíduo interfonou apresentando-se como entregador da farmácia e que teria uma encomenda para o dr. Hudson, que relutou a abrir o portão”, disse o boletim.

A cuidadora contou à polícia que, ao atender, foi ameaçada com os seguintes dizeres: “abre aqui se não vou te matar”. Com medo, ela abriu o portão. Depois, o autor ainda acrescentou: “meu problema não é com você, sai daqui, meu problema é com ele que esta me devendo tem 18 anos.” Nesse momento, a testemunha fugiu para pedir socorro. Após invadir o imóvel, o criminoso ateou fogo no quarto onde estava o policial aposentado.

Hudson estava com a saúde debilitada em função de um AVC, que teve há seis meses, por isso não conseguiu sair e morreu carbonizado.

A perícia e uma equipe de policiais compareceram ao local para identificar e coletar vestígios. “O corpo da vítima foi encaminhado ao Posto Médico-Legal (IML) do município, onde passou por exame de necropsia e, em seguida, foi liberado aos familiares”, disse a PC.